Mapas Sociais: Subsídios para a elaboração do Plano de Gestão territorial e ambiental potiguara

Alicia Ferreira Gonçalves

Resumo


Se apresentam resultados da aplicação de uma metodologia baseada no desenho de mapas sociais por indígenas Potiguara do nordeste brasileiro – que configuram subsídios para a elaboração do PGTA.  A pesquisa etnográfica foi realizada em oito aldeias entre 2018 e 2019 onde foi realizado um ciclo de oficinas de cartografia social, com trilhas e desenhos dos mapas que refletem as cosmovisões Potiguara. Demandas por saneamento básico, saúde, educação, políticas de geração de renda e ações de proteção ambiental são temáticas desenhadas nos mapas. Assim como, conflitos entre atividades exógenas e atividades tradicionais. O PGTA teria um efeito paradoxal: se realizado e efetivado tem a potência jurídica de conferir autonomia na gestão dos territórios indígenas em consonância com a proteção do ambiente. Se não realizado, se converte em instrumento jurídico de tomada de direitos no atual governo que assume explicitamente o lobby de empreendimentos capitalistas em detrimento dos direitos indígenas assegurados constitucionalmente.


Palavras-chave


Mapas Sociais, PGTA, PNGATI, Potiguara, Nordeste brasileiro, Conflitos Socioambientais

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DOI: https://doi.org/10.14295/rbhcs.v12i23.11226

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