Volume 3 - Número 6 - Dezembro de 2011

 

          

Apresentação

 

Caro leitor

É com muito esmero que a Revista Brasileira de História & Ciências Sociais - RBHCS chega a sua 6ª Edição, completando três anos de sua existência. A proposta de uma revista acadêmica que contemplasse pesquisas tanto da História quanto das Ciências Sociais sempre foi seu eixo central, contribuindo para o diálogo acadêmico entre historiadores e cientistas sociais de maneira a enriquecer estes laços que se fazem tão eficazes nas Ciências Humanas.

As sementes foram semeadas e os frutos estão sendo colhidos a cada nova edição. Uma gama de trabalhos de pesquisadores de universidades de todo Brasil e fora dele, dos mais diversos temas e enfoques, seja da antropologia, etnologia, arqueologia, seja do período colonial ou da contemporaneidade, a interdisciplinaridade sempre esteve presente fazendo a ponte de acesso entre os diversos pesquisadores nos mais estimados estudos.

E agora não poderia ser diferente, visto a diversidade de trabalhos que esta 6ª Edição compõe. Para o início desta edição temos o dossiê - Os trabalhadores: experiências, cotidiano e identidades - apresentado pelo Professor Doutor Henrique Espada Lima (UFSC). Seguido ao dossiê, são dez os artigos livres que contemplam temas de diversos interesses nas áreas das ciências ditas do Homem, como costumam denominar os teóricos sociais. 

Uma incursão à temática do gênero pode ser destacada a partir do artigo: O significado da maternidade na adolescência para jovens gestantes, pelas integrantes do Projeto de Pesquisa – Representações de maternidade e casamento em jovens adolescentes com experiência e sem experiência de gestação. Além desta questão tão complexa do significado da maternidade e gravidez na adolescência, outros elos também foram trazidos na questão de gênero. É o caso do artigo Discursos e sociabilidades entre as classes populares: o regramento do carnaval e do comportamento feminino em que Caroline Leal realiza uma reflexão a respeito dos discursos sobre a conduta feminina durante o carnaval porto-alegrense e como essas mulheres agiam frentes a tais discursos.

Permeando a História da Brasil pelo enfoque cultural, o artigo Nacionalismo musical e “invasão cultural” na linha evolutiva da Música Popular Brasileira, de Emília Saraiva Nery, nos contempla com a discussão acerca dos embates e diversos interesses que estiveram envolvidos na MPB dos anos 1960-70. Interessante também a interpretação de Pedro Feitoza sobre o protestantismo religioso apresentado na consagrada obra de Sérgio Buarque de Holanda no seu artigo “As seitas nórdicas jamais florescerão nos trópicos”: uma análise do protestantismo brasileiro a partir das observações de Sérgio Buarque de Holanda em Raízes do Brasil.

O estudo das Elites foi considerado por Tiago Gil no artigo intitulado Elites locais e suas bases sociais na América Portuguesa: uma tentativa de aplicação das social network analysis em que aborda as teias sociais estabelecidas entre as elites localizadas na fronteira do Rio Grande do Sul, no século XVIII, a partir de um método bem específico. Dando um salto do século dezoito para o Estado Novo, Fernanda Rabelo nos apresenta o papel de uma elite técnica que agiu num órgão criado pelo governo Vargas, o DASP, que objetivava a reorganização da administração pública no artigo intitulado O DASP e o combate à ineficiência nos serviços públicos: a atuação de uma elite técnica na formação do funcionalismo público no Estado Novo (1937-1945).

A temática da imigração ficou a cargo do texto Trajetórias, narrativas e memórias de imigrantes libaneses no Ceará de Ruben Maciel Franklin que utilizou a memória de descendentes libaneses nascido em Fortaleza, destacando as interações emergidas nesse movimento imigratório que fizeram com que os imigrantes ao saírem do Líbano optassem pelo Ceará como nova morada. Na questão militar, o artigo de Leonardo Canciane, Entre os enfrentamentos e as relações pacíficas Comandantes de Guardas Nacionais e os indígenas na fronteira sul bonaerense (1852-1879), aponta para o importante papel dos comandantes das Guardas Nacionais na construção do Estado Argentino, na medida em que estes foram mediadores da paz com os povos indígenas. Ainda, Ianko Bett numa perspectiva teórica, Da construção da “individualidade” ao “indivíduo sitiado”: Uma crítica Baumaniana ao elogio do hibridismo cultural, coloca em evidência uma releitura da obra de Zygmunt Bauman na questão da categoria “hibridismo cultural”.

   Além dessa diversidade de temas oferecidos, a RBHCS conta com a sessão Acadêmico, oferecendo a oportunidade de graduandos poderem apresentarem seus trabalhos. Nesta edição contamos ainda com duas Resenhas e uma Transcrição.

Para finalizar, agradecemos a participação e apoio constante do historiador Professor Doutor Renato Pinto Venancio (UFMG) que esteve presente no Conselho Editorial da RBHCS no triênio 2009-2011, contribuindo para o delineamento do perfil editorial da revista. Para compor o Conselho Editorial no próximo triênio, fomos agraciados pela integração da antropóloga Professora Doutora Adriana Vianna (UFRJ). Desejamos que sua atuação possa orientar os passos editoriais da RBHCS, assim como o fizera o querido professor Renato Venancio.

 

Façamos uma excelente leitura, que seja proveitosa e frutífera como tem sido a cada nova edição.

 

Ana Silvia Volpi Scott

Denize Terezinha Leal Freitas

Jonathan Fachini da Silva

José Carlos da Silva Cardozo

Editores

 
 
Published on 29/12/2011

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ISSN: 2175-3423

Vol. 3 N. 6

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